sábado, 9 de março de 2019

OBIAH 2019/1


I – Grupo de estudos avançados sobre "Metodologia Decolonial" (fechado)

II – III Jornada de Estudos Decoloniais do Obiah: Reflexões sobre Metodologias e Epistemologias  
(os encontros de estudos serão sempre às segundas-feiras, entre 8 e 12 h, uma vez ao mês)


Roda de Conversas
“Epistemologias das práticas científicas”

01/04/2019 às 8h, sala 33

Puxadora: Karla Alves de Araújo França Castanheira
Conversador@s: orientand@s e demais membr@s do Obiah

Objetivos: construir um entendimento do que sejam ciência, educação linguística e do que seja a construção do conhecimento científico na universidade; discutir sobre as bases teórico-metodológicas dos trabalhos em andamento no grupo e propor novas formas de fazer ciência e construir conhecimento científico na academia.

III – Ações políticas:
1) Enruad@s – Obiah na Rua In: #HaveSomeStruggle - coordenador@s: Karla, Hildomar, Tânia.
2) Roda de Mulheres Autonomistas em Movimento - coordenadoras: Karoline e Tânia.
IV – Extensão:
                   1) Oficina de letramento acadêmico – Inglês (2 turmas: G e PG ações afirmativas)
                   2) Oficina de letramento acadêmico – Português (1 turma: ações afirmativas)
                  3)  Oficina de letramento político – o hino de Goiás (1 turma) 
                  4)  Oficina de letramento político – o hino nacional (1 turma) 
              5)  Cursos Seduce – em andamento

V – Colóquio de Pesquisa e Extensão da Faculdade de Letras
26/04/2019 – Cine UFG/Auditório da Faculdade de Letras.
“Trajetórias e encontros com letras e formigas nas estradas do sertão”
Em construção

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Diretrizes 2019

Obiah Grupo Transdisciplinar de Estudos Interculturais da Linguagem, cadastrado no Diretório dos Grupos de Pesquisas do Brasil (plataforma Lattes), tem como líder Tânia Ferreira Rezende (UFG), e é um grupo que se organiza e se desenvolve por meio de:
(i) grupo de pesquisa pesquisas (estudo avançado para busca de soluções ou novas questões a um problema teórico ou empírico, com objetivos pontuais e definidos), 
(ii) grupo de estudos (reflexão teórica para apropriação de conceitos e pressupostos teóricos e de postulados metodológicos para a construção do arcabouço teórico embasador das pesquisas em suas diferentes fases), 
(iii) difusão de conhecimento (Jornadas de Estudos em forma de rodas de conversa e seminário; apresentação em eventos e publicação de artigos em periódicos, trabalhos completos em anais; e ações de extensão).

A adesão de novos membros ao Obiah ocorre no início do ano, por indicação de um membro efetivo e por convite da líder do Grupo. Qualquer membro efetivo ativo do Grupo pode indicar um novo membro. A indicação será apreciada pelo coletivo, mediante apresentação de carta de intenção e plano de estudo pela/o/@ interessada/o/@. Uma vez aprovada a nova adesão, uma das líderes encaminha o convite à/ao/a@ proponente. Os grupos de estudos são restritos aos membros efetivos do Obiah.  

Por mais que seja importante a atuação em todas as frentes de trabalho do Grupo, para ser membro do Obiah não precisa necessariamente atuar em todas elas, desde que as opções sejam bem justificadas e que a justificativa seja plausível para o Grupo e não somente para o indivíduo. Por outro lado, ao assumir uma frente de trabalho, o mínimo que se espera do/a/@ participante é que tenha compromisso e responsabilidade com suas tarefas. Trata-se de um grupo  de estudos avançados, portanto, tem de, necessariamente, haver produção, de algum tipo. 

Grupo de Estudos do Obiah se reúne regularmente, com agendamento previamente divulgado. O objetivo do estudo avançado é construir um arcabouço teórico e propor metodologias que orientem as pesquisas do Grupo. A proposta é investir na formação dos/as/@s pesquisadores/as/@s do Grupo. Para isso, as pautas de leitura são decididas e atualizadas pelo Grupo a cada semestre letivo. Para participar dos estudos do Grupo, são necessárias disponibilidade de tempo e disposição para dedicação aos estudos desenvolvidos pelo Grupo, pois é imprescindível a leitura prévia dos textos indicados e a elaboração de um esquema também prévio para a discussão. Ao final de cada encontro de estudos, cada um/a/@ dos/as/@s participantes deve redigir um texto contendo entre 400 e 600 palavras para sistematizar as interpretações e as reflexões e também para exercitar a prática escrita e a documentação de notas de leitura. Não serão toleradas faltas nem atrasos. Para cada rodada de leitura, é indicado/a@ um/a/@ coordenador/a/@.   

As Jornadas de Estudos Interculturais Transdisciplinares do Obiah são organizadas por uma comissão formada a cada ano e se desenvolve em forma de rodas de conversa e de Seminário científico. As rodas de conversa são um espaço para discussão e interpretação de teorias, de conceitos, e de apresentação de propostas de trabalho. As rodas de conversa podem ser propostas e realizadas por qualquer membro efetivo e ativo do grupo e é sempre aberta à comunidade em geral. A proposta deve ser encaminhada contendo o tema, o nome do/a/@ puxador/a/@, o resumo da roda, o título, nome do/a/@ conversador/a/@; a data e o horário da realização. O/A/@ puxador/a/@ é responsável por: encaminhar a proposta, reservar o espaço, divulgar amplamente o evento; articular a conversa, de acordo com as normativas das rodas (de 5 em 5 min a conversa roda); certificar o/a/@ puxado/a/@ e os/as/@s conversadores/as/@s; elaborar o material final para publicação no blog do grupo. O Seminário Anual do Obiah é um evento científico, de apresentação de resultados de pesquisas, aberto à comunidade em geral. Somente pode apresentar trabalho no seminário o membro do Obiah que tiver resultados efetivos de pesquisa. Todas as submissões estarão sujeitas à avaliação pela Comissão Organizadora. São apresentadas ao final do Seminário as propostas de estudos dos novos membros do Grupo. As Jornadas preveem a organização de produtos em forma de livros e artigos acadêmicos para publicação em periódicos.

O Grupo oferece e desenvolve várias Ações de extensão, tanto à comunidade acadêmica quanto à comunidade em geral. O objetivo é buscar articulação com a comunidade como uma forma de retorno à sociedade, uma vez que a universidade é pública, portanto, mantida com investimentos da União, da arrecadação pública. É também uma forma de difundir e compartilhar o conhecimento construído no meio acadêmico com a sociedade e contribuir com a formação e a transformação social. A extensão universitária é uma obrigação, não é um favor. 

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

O Brasil de volta aos herdeiros dos donatários

Durante as manifestações, que se iniciaram em 2013, estas lideradas pelos estudantes, tinha como causa o passe-livre. As manifestações pelo passe-livre foram sequestradas pela "elite verde amarela", conservadora e se intensificaram em 2014, depois da reeleição de Dilma Rousseff, com um clamor contra a corrupção, pedindo o Brasil de volta. Quem pedia o Brasil de volta era a classe média alta, financiada, monetária e intelectualmente, pela classe alta. Esse movimento culminou, em 2016, no impeachment da presidenta Dilma Rousseff e o comando da nação foi assumido pelo vice-presidente Michel Temer, do PMDB, que deu início a uma série de reformas e mudanças sociais, as quais Dilma se negava a inciar. Por mais impopular que Temer tenha sido durante todo seu mandato, houve calmaria em seu governo, porque o Brasil já caminhava de volta aos "brasileiros de bem", os herdeiros dos mandatários. Com as eleições majoritárias de 2018 para o mandato 2019-2022, grande parte dos estados e a federação atenderam ao clamor instaurado desde 2013, o "queremos o Brasil de volta". A voz que clama é a dos herdeiros dos donatários coloniais (beneficiários das sesmarias, em forma de capitanias hereditárias), dos coronéis, dos latifundiários, do império e da primeira república, e dos atuais grandes empresários, que se sentiram lesados pelos doze anos de governo petista (os militantes de oposição falam em dezesseis, mas são doze, de 2003 a 2015, visto que Michel Temer é do PMDB), considerado socialista e comunista (outro equívoco da militância de oposição).

A "sociedade brasileira de bem", a "padrão" (ou "hegemônica"), foi formada, nos períodos colonial e imperial, e tem sido mantida, desde então até agora, por meio de um conjunto de normas e valores considerado o único correto. Esse conjunto de normas e valores formou um "padrão" que se expressa e que interfere nas relações sociais, em geral: nas interações interpessoais, nos comportamentos, nas práticas de linguagem, nas subjetividades, no modo de ser e estar no mundo, na maneira como as pessoas se veem e veem as outras pessoas a sua volta etc. Esse padrão herdado define quem participa das tomadas de decisão, quem ocupa quais lugares sociais, quem participa das partilhas no mundo. Quem pode e quem não pode o quê, enfim. Esse padrão estrutura a organização social e a vida política da sociedade. Tudo de maneira tão naturalizada que, quando é aplicado, tudo parece "normal". Tudo que está de acordo com o padrão herdado é considerado natural e entendido como neutro, portanto, aceito como correto. Por isso, esse padrão é um padrão de poder. 

No Brasil, desde a primeira república, tudo tem estado no seu lugar e quando algo entra em desarmonia com as regras estabelecidas, uma medida de ajuste é tomada, como acidentes de automóveis, acidentes aéreos, suicídios, desaparecimentos inexplicáveis, adoecimentos e mortes às vésperas da posse, enfim, tudo dentro da "normalidade". Fatos um pouco anormais foram o impeachment do então presidente Fernando Collor de Melo e os assassinatos que o envolveram. Mas, mesmo assim, foram acontecimentos dentro do padrão político brasileiro, ainda regido pelo coronelismo. Lembremos que a base discursiva da campanha de Collor de Melo, sob outra formação discursiva, a caça aos marajás, foi o combate à corrupção. Ou seja, o discurso eleitoreiro de combate à corrupção não é novo neste país, porque a corrupção, neste país, tem muito mais que doze (ou dezesseis) anos.

Carolina Maria de Jesus, em Quarto de Despejo, escreveu que o Brasil só mudaria quando fosse governado por alguém que já passou fome. Pois bem, alguém que passou fome, que foi perseguido político pela ditadura militar, que sabia, de fato, por vivência, o que é o Brasil dos(as) brasileiros(as) desprovidos(as) de tudo, conseguiu governar o país. A desestabilização do padrão de poder herdado e a transformação social e política, no Brasil, aconteceram com a eleição de Luís Inácio Lula da Silva para a presidência da república, em 2002, para o mandato de 2003-2006: um operário, nordestino, de sobrenome Silva, com pouca instrução, com mutilação física, de um partido de esquerda, um partido de trabalhadores, ou seja, uma pessoa que saiu realmente das bordas sociais e chegou à presidência da república, via movimentos sociais e políticas sindicais, mais de uma década depois do início da redemocratização do país. Foram dois mandatos, de 2003 a 2011, marcados por importantes políticas sociais. Foi a primeira mudança e a primeira ação de desestabilização do padrão hegemônico no Brasil, desde o período colonial. Até então, os cargos majoritários, no Brasil, foram ocupados pelos herdeiros dos sempre mesmos "donatários", os donos das grandes plantações de cana de açúcar e de cacau, dos barões das lavouras de café, dos criadores de gados de leite e de corte, dos grandes latifundiários e dos grandes empresários, são os filhos e netos de tal e qual, com um ou outro raro Lula da Silva e Mário Juruna, na Câmara dos Deputados. De 2002 para cá, o cenário mudou, e muito, no Congresso Nacional, nos estados e nos municípios. Ainda que a narrativa oficial aponte uma só razão e adote um só argumento, o maior dos incômodos é a desestabilização do padrão único de poder e de organização social e política, que, consequentemente, mexeu na distribuição de lugares sociais, de direitos e de renda entre a camada mais destituída de tudo. 

Dilma Rousseff, do mesmo partido de Lula da Silva e seguindo a mesma linha ideológico e os princípios do partido, não desenvolveu a mesma política. O lugar de existência de Dilma não era, nem de longe, semelhante ao de Lula e isso fez muita diferença. Não basta às pessoas ocuparem o mesmo lugar político, porque o lugar de existência delas faz com que elas vejam o mundo e os fatos de modo diferente e faz com elas tenham atuações diferentes sobre o mundo. A enorme diferença entre as políticas sociais dos governos Lula e Dilma é explicada pela sábia previsão de Carolina de Jesus, citada anteriormente. Dilma não é uma Silva, é uma Rousseff e isso fez e faz muita diferença. Do mesmo modo, fez muita diferença o fato de Dilma ser mulher ocupando o cargo de presidentA da república. A primeira mulher a ocupar esse cargo, e isso também contribuiu para a desestabilização do padrão hegemônico, considerando a estrutura patriarcal, extremamente machista e misógina, da sociedade brasileira. De modo geral, os(as) brasileiros(as) não gostaram de um Silva, operário, pobre e mutilado como presidente, e gostaram menos ainda de ver uma mulher presidindo o país e não aceitaram o termo "presidenta", houve desconforto com a presença da mulher e com a marcação do feminino no nome do cargo. "Colocar o país em ordem" inclui a reordenação do sobrenome de quem ocupa o cargo e também a reordenação morfológica do nome do cargo. "A quebradeira do país", nesses doze ou dezesseis anos, não diz respeito à corrupção monetária apenas, diz respeito, talvez até mais, à "corrupção moral", e o uso de "presidenta" é uma das expressões da "imoralidade" que precisa ser corrigida. O padrão de regras e valores, composto desde o período colonial, com base nos valores cristãos, patriarcais e escravocratas, foi corrompido e precisa ser reparado, recomposto. O árduo esforço para o restabelecimento do país diz respeito à economia e à sociedade: "às nossas famílias, nossos filhos", é a "recomposição do padrão", levar as coisas de volta pro lugar. A maior corrupção é a social, e as escolhas lexicais, repetidas a exaustão nos discursos de posse pelo presidente, mostram isso. 

I. Discurso de posse, no Congresso Nacional.    

[PROTOCOLO OFICIAL] [...] Hoje aqui estou, fortalecido, emocionado e profundamente agradecido a Deus pela minha vida e aos brasileiros, que confiaram a mim a honrosa missão de governar o Brasil, neste período de grandes desafios e, ao mesmo tempo, de enorme esperança: governar com vocês. Aproveito este momento... solene... e convoco cada um dos congressistas para me ajudarem na missão de restaurar e de reerguer nossa pátria, libertando-a, definitivamente, do jugo da corrupção, criminalidade, da irresponsabilidade econômica e da submissão ideológica. Temos, diante de nós, uma oportunidade única de reconstruir o nosso país e de resgatar a esperança dos nossos compatriotas. Estou certo de que enfrentaremos enormes desafios, mas se tivermos a sabedoria de ouvir a voz do povo, alcançaremos êxito em nossos objetivos e, pelo exemplo e pelo trabalho, levaremos as futuras gerações a prosseguir nessa tarefa gloriosa. Vamos unir o povo, valorizar a família, respeitar as religiões e nossa tradição judaico-cristã, combater a ideologia de gênero, conservando nossos valores. O Brasil voltará a ser um país livre das amarras ideológicas. Pretendo partilhar o poder, de forma progressiva, responsável e consciente, de Brasília para o Brasil, do poder central para estados e municípios. Minha campanha eleitoral atendeu ao chamado das ruas e forjou o compromisso de colocar o Brasil acima de tudo e Deus acima de todos. Por isso, quando os inimigos da pátria, da ordem e da liberdade tentaram por fim à minha vida, milhões de brasileiros foram às ruas, uma campanha eleitoral transformou-se em um movimento cívico, cobriu-se de verde e amarelo, tornou-se espontâneo, forte e indestrutível e nos trouxe até aqui. Nada aconteceria sem o esforço e o engajamento de cada um dos brasileiros que tomaram as ruas pra preservar a nossa liberdade e democracia. Reafirmo meu compromisso de construir uma sociedade sem discriminação ou divisão. Daqui em diante, nos pautaremos pela vontade soberana daqueles brasileiros que querem boas escolas capaz de preparar seus filhos para o mercado de trabalho e não para a militância política; que sonham com a liberdade de ir e vir, sem serem vitimados pelo crime; que desejam conquistar, pelo mérito, bons empregos e sustentar, com dignidade, suas famílias; que exigem saúde, educação, infraestrutura e saneamento básico, e respeito aos direitos e garantias fundamentais da nossa Constituição. O pavilhão nacional nos remete à ordem e ao progresso. Nenhuma sociedade se desenvolve sem respeitar esses preceitos. O cidadão de bem merece dispor de meios para se defender, respeitando o referendo de 2005, quando optou nas urnas pelo direito à legítima defesa. Vamos honrar e valorizar aqueles que sacrificam suas vidas em nome de nossa segurança e da segurança dos nossos familiares. Contamos com o apoio do Congresso Nacional para dar o respaldo jurídico os/para os policiais realizarem o seu trabalho. Eles merecem e devem ser respeitados. Nossas forças armadas terão as condições necessárias para cumprir sua missão constitucional de defesa da soberania do território nacional e das instituições democráticas, mantendo suas capacidades (suassórias?) para resguardar nossas soberanias e proteger nossas fronteiras. Montamos nossa equipe de forma técnica, sem o tradicional viés político, que tornou o Estado ineficiente e corrupto. Vamos valorizar o parlamento, resgatando a legitimidade e a credibilidade do Congresso Nacional. Na economia, traremos a marca da confiança, do interesse nacional, do livre mercado e da eficiência. Confiança no cumprimento de que o Governo não gastará mais do que arrecada e na garantia de que as regras, os contratos e as propriedades serão respeitadas. Realizaremos reformas estruturantes, que serão essenciais para a saúde financeira e sustentabilidade das contas públicas, transformando o cenário econômico e abrindo novas oportunidades. Precisamos criar um círculo (virtuoso?) para a economia, que traga confiança necessária para permitir abrir nossos mercados para o comércio internacional, estimulando a competição, a produtividade e eficácia, sem o viés ideológico. Nesse processo de recuperação do crescimento, o setor agropecuário seguirá desempenhando um papel decisivo, em perfeita harmonia com a preservação do meio ambiente. Dessa forma, todo o setor produtivo terá um aumento de eficiência, com menos regulamentação e burocracia. Esses desafios só serão resolvidos mediante um verdadeiro pacto nacional, entre a sociedade e os poderes executivo, legislativo e judiciário, na busca de novos caminhos para um novo Brasil. Uma desminha/uma de minhas prioridades é proteger e revigorar a democracia brasileira, trabalhando arduamente para que ela deixe de ser apenas uma promessa formal e distante e passe a ser um componente substancial e tangível da vida política brasileira com respeito ao Estado democrático. A construção de uma nação mais justa e desenvolvida requer a ruptura com práticas que se mostram nefastas para todos nós, maculando a classe política e atrasando o progresso. A irresponsabilidade nos conduziu a maior crise ética, moral e econômica de nossa história. Hoje, começamos um trabalho árduo para que o Brasil inicie um novo capítulo de sua história. Um capítulo no qual o Brasil será visto como um país forte, pujante, confiante e ousado. A política externa retomará o seu papel na defesa da soberania, na construção da grandeza e no fomento ao desenvolvimento do Brasil. [...] (FINALIZAÇÃO).     


II. Mensagem de agradecimento da Primeira Dama, no Parlatório.

A Primeira Dama, Michele Bolsonaro, "no momento preliminar", transmite a mensagem de agradecimento, em Libras, com a versão voz em português da intérprete Adriana Ramos:

Boa tarde a todos, é uma grande honra e uma grande alegria estar aqui neste momento tão especial e importante para o nosso país. Momento de agradecer a todos vocês, brasileiros e brasileiras, crianças, jovens e idosos, por todo o apoio e pelo carinho, desde o início da nossa campanha. Agradeço muito também a todos aqueles que demonstraram sua solidadriedade durante os momentos difíceis pelos quais o meu esposo passou recentemente. Muita gratidão a Deus, à minha família e aos meus amigos. Em especial, quero agradecer ao meu enteado Carlos, por toda a ajuda e parceria durante os vinte e três dias que passamos dentro do hospital em São Paulo. Agradeço ainda a população brasileira pelas orações que nos deram tanta coragem para seguir adiante. Agradeço a Deus essa grande oportunidade de poder ajudar as pessoas que mais precisam, trabalho de ajuda ao próximo que sempre fez parte da minha vida e que, a partir de agora, como primeira dama, posso ampliar de maneira ainda mais significativa. É uma grande satisfação, um privilégio, poder contribuir e trabalhar para toda a sociedade brasileira. As eleições deram voz a quem não era ouvido, e a voz das urnas foi clara: o cidadão brasileiro quer segurança, paz e prosperidade, um país em que sejamos todos respeitados. Gostaria de modo muito especial de dirigir-me à comunidade surda, às pessoas com deficiência e a todos aqueles que se sentem esquecidos: vocês serão valorizados e terão seus direitos respeitados, tenho esse chamado no meu coração e desejo contribuir na promoção do ser humano. Agradeço aos intérpretes de libras do Brasil, que têm feiro um trabalho de inclusão tão importante. Em especial agradeço ao meu amado esposo, o nosso presidente, para quem peço o apoio de todos vocês. Estamos continuando, estamos todos de um lado só, juntos alcançaremos o Brasil próspero, com amor, ordem, progresso, paz, educação e liberdade para todos. Brasil acima de tudo e Deus acima de todos. Muito obrigada. Deus abençoe. Amém.  
   

                                         

III. Pronunciamento à nação, pelo Presidente, no Parlatório.

É com humildade e honra que me dirijo a todos vocês, como presidente do Brasil, e me coloco diante de toda a nação, nesse dia, como o dia em que o povo começou a se libertar do socialismo... se libertar da inversão de valores, do gigantismo estatal e do politicamente correto. As eleições deram voz a quem não era ouvido, e a voz das ruas e das urnas foi muito clara, e eu estou aqui para responder e, mais uma vez, me comprometer com esse desejo de mudança, também estou aqui para renovar nossas esperanças, e lembrar que, se trabalharmos juntos, essa mudança será possível. Respeitando os princípios do estado democrático, guiados pela nossa Constituição e com Deus no coração, a partir de hoje, vamos colocar em prática o projeto que a maioria do povo brasileiro, democraticamente escolheu, vamos promover as transformações que o país precisa. Graças a vocês, conseguimos formar um governos sem conchavos ou acertos políticos. Formamos um time de ministros técnicos e capazes para transformar nosso Brasil. Mais ainda há muitos desafios pela frente. Não podemos deixar que ideologias nefastas venham a dividir os brasileiros, ideologias que destroem os nossos valores e tradições, destroem as nossas famílias, o alicerce da nossa sociedade. E convido a todos para iniciarmos um movimento nesse sentido, podemos, eu, você e as nossas famílias, todos juntos, restabelecer padrões éticos e morais que transformarão nosso Brasil. A corrupção, os privilégios e as vantagens precisam acabar. Os favores politizados, partidarizados devem ficar no passado, para que o governo e a economia sirvam, de verdade, a toda a nação. Tudo o que propusermos e tudo o que faremos, a partir de agora, tem um propósito comum e inegociável. Os interesses dos brasileiros em primeiro lugar. O brasileiro pode e deve sonhar, sonhar com uma vida melhor, com melhores condições para usufruir do fruto do seu trabalho pela meritocracia e ao governo cabe ser honesto e eficiente, apoiando e pavimentando o caminho que nos levarão a um futuro melhor, ao invés de criar pedágios e barreiras. Com este propósito, iniciamos nossa caminhada. Com esse espírito e determinação que toda a equipe de governo assume no dia de hoje. Temos o grande desafio de enfrentar os efeitos da crise econômica, do desemprego record, da ideologização de nossas crianças, do desvirtuamento dos direitos humanos e da desconstrução da família. Vamos propor e implementar as reformas necessárias. Vamos ampliar infraestruturas, desburocratizar, simplificar, tirar a desconfiança e o peso do governo sobre quem trabalha e quem produz. Também é urgente acabar com a ideologia que defende bandidos e criminaliza policiais, que levou o Brasil a viver o aumento dos índices de violência e do poder do crime organizado, que tira vidas inocentes, destrói famílias e leva insegurança a todos os lugares. Nossa preocupação será com a segurança das pessoas de bem e a garantia do direito de propriedade e da legítima defesa. E o nosso compromisso é valorizar e dar respaldo ao trabalho de todas as forças de segurança. Pela primeira vez, o Brasil irá priorizar a educação básica, que o que realmente transforma o presente e faz o futuro de nossos filhos. Temos que nos espelhar em nações que são exemplo para o mundo, que, por meio da educação, encontraram o caminho da prosperidade. Vamos retirar o viés ideológico de nossas relações internacionais. Vamos em busca de um novo tempo para o Brasil e para os brasileiros. Por muito tempo, o país foi governado atendendo a interesses partidários que não o dos brasileiros. Vamos restabelecer a ordem nesse país. Sabemos do tamanho da nossa responsabilidade e dos desafios que vamos enfrentar, mas sabemos aonde queremos chegar e do potencial que nosso Brasil tem. Por isso, vamos, dia e noite, perseguindo o objetivo de tornar o nosso país um lugar próspero e  seguro para os nossos cidadãos e uma das maiores nações do planeta. Pode contar com toda a minha dedicação para construir o Brasil dos nossos sonhos. [...].    

O que podemos esperar desse Governo? A recomposição do padrão patriarcal, euro-cristão (libertar da inversão de valores, do gigantismo estatal e do politicamente correto; respeitar as religiões e nossa tradição judaico-cristã, combater a ideologia de gênero, conservando nossos valores). A educação vai se libertar do "viés ideológico" para não "formar militantes políticos" e deve investir na formação de mão de obra para o mercado de trabalho. Evidentemente, esse projeto é para a escola pública, porque as escolas privadas, sobretudo as de alto custo, poderão formar militantes, de direita, com viés ideológico conservador, de acordo com a tradição e os valores judaico-cristãos. 

O que é considerado "sem viés ideológico" é um viés ideológico padrão de acordo com os valores e as normas herdadas ao colonialismo, é um viés ideológico hegemônico, que é considerado não ideológico, porque não é marcado por raça/cor, classe, gênero e territorialidade que devem se conformar ao jugo da dominação euro-cristão, branco-falo-cêntrica. O que é considerada "ideologia de gênero" é a educação para a convivência democrática e respeitosa com a diversidade de gêneros, e o que é considerado "não ideológico" é a imposição da ideologia única de gênero herdada da composição tradicional de organização social, considera a única correta, marcada pela não marca. O que é considerada "família tradicional" é o modo patriarcal euro-cristão de família, hipocritamente mantido, apesar de sua falência escancarada. A "inversão de valores" nada mais é que o reconhecimento da existência de muitos outros valores além dos valores hipócritas da sociedade patriarcal, escravocrata, euro-cristã, branco-falo-cêntrica, valores legítimos e muito mais éticos e que esses herdados à colonização. E a pergunta que não pode faltar: quando ele afirma e promete que as propriedades serão respeitadas, essa garantia se estende às terras indígenas e quilombolas, estejam elas demarcadas ou não? São propriedades tradicionais, anteriores às capitanias.  

A Primeira Dama, em sua mensagem de agradecimento, "no momento preliminar", que antecede a abertura do protocolo do pronunciamento do Presidente empossado à nação, honra seu marido, porque esse é o papel da mulher sábia que edifica seu lar, e prossegue em seu papel da mulher cristã de bem, apresentando sua agenda de caridade cristã: fazer o bem a quem mais necessita. As importantes políticas de diversidade e inclusão social parece que serão resumidas a práticas de caridade cristãs a um grupo, que ela denominou de "deficientes". É relevante seu trabalho, sem dúvida. A transmissão da mensagem de agradecimento, em libras, foi fantástica, só isso já é inclusão, incluiu a língua em um momento solene importante, transmitido em cadeia nacional. Muito bom. Politicamente importante. Mas, foi um momento, restrito a um grupo. Precisamos de ações mais amplas e que abarquem a pluralidade do Brasil. Se é imoral ter corrupto de estimação, não é ético ter excluído de estimação em um programa nacional de inclusão. Lamentável!

Os herdeiros dos donatários, depois de longos dezesseis anos de injustiças, têm o Brasil de volta, com a desinversão dos valores. No lugar das politicas de Ações Afirmativas, e seus injustos "privilégios", voltam as disputas desiguais disfarçadas de méritos, para garantir a manutenção da mão de obra, em uma camada, e a formação privilegiada, por mérito, em outra camada. As diferenças voltam a manter as desigualdades e tudo fica como antes na terra dos Abrantes, e ninguém precisa se misturar com os ninguéns. Enquanto isso, as Jezebéis, no seio de suas famílias, fazem o que querem, destroem os lares sagrados das famílias tradicionais, se casam com os velhos fracos e se tornam senhoras de bem da sociedade; ao passo que as Madalenas, donas de suas vidas, se sustentam, cuidam de seus/suas filhos/as, criam sozinhas as filhas e os filhos abortadas/os pelos pais, é que são as prostitutas mal faladas. Mas, quem inverte valores e destrói a sociedade é a Madalena e não a Jezebel. Eparrei, Oyá!!!! Axé pra esse mundo.   

domingo, 30 de setembro de 2018

Primavera Feminista - 29 de setembro de 2018 #EleNão

No Brasil, constrói-se, em torno das eleições majoritárias de 2018, um movimento político liderado pelas mulheres em reação à postura "fascista" do candidato do PSL à presidência da república, Jair Bolsonaro, e por seus seguidores - apoiadores, eleitores. Esse movimento cresce e vai ganhando apoio e a adesão de muitos seguimentos da sociedade organizada: movimento negro, de mulheres negras, indígenas, quilombolas, lgbti+, estudantil, enfim, os grupos, historicamente oprimidos se sentem, coletivamente, indignados pela postura e pelas ofensas do candidato e se organizam politicamente num levante histórico contra ele, o movimento indexicalizado como #EleNão #EleNunca #EleJamais. As mulheres organizam grupos nas redes sociais e o grupo no Facebook é hackeado, sequestrado apropriado pelos seguidores do candidato. Isso desencadeou mais revolta e indignação, pois essa ação reflete e reproduz a exploração e a espoliação dos corpos e das consciências historicamente subjugados. A mulher que não pode ter voz nem protagonismo, mais uma vez, assiste usurpação de seu trabalho, de sua construção. Tamanha foi a indignação que muitos outros grupos semelhantes se formaram e um ato político se constrói para ocupar as ruas e se manifestar o #EleNão #EleNunca #EleJamais. Esses grupos se unem na indignação e na luta contra o opressor. 



🎶 Uma manhã, eu acordei
E ecoava: ele não, ele não, não, não
Uma manhã, eu acordei 🎶
E lutei contra um opressor
Somos mulheres, a resistência
De um Brasil sem fascismo e sem horror🎶
🎶Vamos à luta, pra derrotar
O ódio e pregar o amor (2x) 

Letra: Simone Soares e Flavia Simão. A melodia e o ritmo são de Bella Ciao, canção símbolo da resistência italiana ao fascismo. Vídeo e letra disponíveis em: <https://esquerdaonline.com.br/2018/09/24/elenao-aprenda-a-letra-da-musica-dos-atos-da-primavera-feminista/>. 

Foto: Tânia Rezende
Em Goiás, as mulheres se juntaram e também deram seu recado, a seu modo. A diversidade que forma o povo goiano estava representada pelas mulheres indígenas, negras, pardas, quilombolas, mulheres do campo, da cidade, das periferias e dos centros urbanos, mulheres de todos os lugares, de raça/cor e classe diferenciadas, de diferentes escolaridades, mas todas com letramento social, cultural e, principalmente, com forte letramento ideológico e político, todas com a mesma força de atuação política gritando forte #EleNão #EleNunca #EleJamais. Força e resistência!!!! 

Pilar, com a força de sua voz, através de sua poesia marginal, falou por nós, em bom e sonoro pretuguês:
Vídeo: Tânia Rezende

Foto: Tânia Rezende
Desde as manifestações de 2013 com maior intensidade nas manifestações de 2016, pude perceber uma distribuição social nitidamente estratificada pelos espaços das cidade. Há uma semiótica dos espaços por onde os movimentos são distribuído que reflete uma estratificação étnica e social. Na Primavera Feminista, em Goiânia, pude perceber isso também. A concentração aconteceu na Praça Cívica, onde estão o Centro Administrativo do estado e o Palácio das Esmeraldas, palácio do governo estadual, dentre outros órgãos importantes do estado. É de praxe as concentrações acontecerem na Praça Cívica. Dali, a caminhada partiu pela Avenida Goiás, a mais importante da cidade, em direção à Praça do Bandeirante, um emblema histórico, conflituoso em Goiânia, situado no cruzamento da Av. Goiás com a Av. Anhanguera. O bandeirante mais importante da história de Goiás é Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera (Diabo Velho, "velhaco"). O mito de origem de Goiás é uma narrativa anedótica, em que o herói é o bandeirante esperto, velhaco, o anhanguera (na verdade, um trapaceiro), e o nosso ancestral indígena é narrado como um ingênuo, um "bobo", porque quem narra, claro, não é o indígena. O símbolo no centro de Goiânia é de um bandeirante, não é de um indígena. Na manifestação desse 29 de setembro de 2018, uma nova narrativa, uma narrativa outra sobre o bandeirantismo surgiu pela voz de uma mulher, guerreira, indígena. 

Vídeo: Tânia Rezende

Na Praça do Bandeirante, foi feito silêncio em homenagem à Diomar Kanela, liderança feminina indígena do povo Kanela, falecida em 25 de setembro, vítima de suicídio. Uma comoção tomou de tod@s @s presentes ao ouvirmos falar sobre a morte prematura de Diomar. Estávamos na Praça do Bandeirante. 


Vídeo: Tânia Rezende


Depois da homenagem à Diomar, Mirna Anaquiri, importante liderança feminina indígena, tomou a palavra e e se pôs a denunciar o desrespeito por parte da imprensa local com sua gente e seus sentimentos e a denunciar a "matança dos povos indígenas", que ainda persiste em todo o Brasil, ao mesmo tempo em que cercávamos, ostensivamente, o anhanguera erguido na Praça. Sim, fizemos um cerco àquele monumento que tanto nos oprime com sua presença, por manter viva a memória e a prática do genocídio indígena em Goiás. As famílias tradicionais goianas fizeram suas fortunas a custa da vida, do sangue, dos povos indígenas e dos povos negros. Os homens de bem se fizeram e ainda se fazem a custa da exploração das mulheres e do abando das proles cerrado a dentro e afora. A Praça do Bandeirante está erigida sobre dor, sangue e lágrimas. Esta terra é um grande "enterro valioso" e seus donos encobrem bem os lamentos, os gemidos, as dores e as lágrimas das "viúvas usurpadas". Revivida a luta histórica de disputa pela dominação em Goiás, a caminhada, nossa luta do presente, seguiu pela Av. Anhanguera até a Praça Botafogo e de lá para a Praça Universitária, seu destino final, ignorando a Praça da Bíblia, que sempre foi um ponto de parada, em todas as manifestações. As manifestações são lutas ideológicas e políticas, mais muito mais que isso, são lutas de classe, disputas de poder. A distribuição dos espaços nas manifestações em Goiânia sempre mostraram isso. As manifestações pró-impeachment se restringiam aos setores nobres da cidade: da Praça Cívica para a Praça Tamandaré, Av. 85, Praça do Ratinho e imediações. As manifestações contrárias ao impeachment saíam da da Praça do Trabalhador, passando pela Praça do Bandeirante, da Praça da Bíblia e da Praça Universitária em direção à Praça Cívica, onde havia concentração. Quando a concentração era na Praça Cívica, a luta saía em caminhada em direção à Praça à Assembleia Legislativa ou à Praça do Bandeirante até à Praça do Trabalhador ou seguia para a Praça da Bíblia e de lá para a Praça Universitária. Em Goiânia, há uma geopolítica e uma semiótica de lugares da luta de classes, em todas as rotas de quem assume a luta de classe a partir das bases, a Praça do Bandeirante e o monumento do Anhanguera é um marco. A luta das mulheres em caminhada, nesse 29 de setembro mostrou isso de forma mais intensa, porque com essas pessoas que construíram esse dia de luta, o corpo, com toda a emoção que o constitui, faz parte da luta.     

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Estatística da Copa/2018 e sua relação com políticas linguísticas e políticas de dominação

Fonte: https://www.fifa.com/worldcup/2018


Países
Localização
Idiomas Oficiais
Títulos
Alemanha 
Europa Central
Alemão
4: 1954, 1974, 1990, 2014
Arábia Saudita 
Ásia, Península Arábica
Árabe
Nenhum
Argentina 
América do Sul
Espanhol
2: 1978, 1986
Austrália 
Oceania
Inglês
Nenhum
Bélgica 
Europa Ocidental
Neerlandês, Francês e Alemão
Nenhum
Brasil 
América do Sul
Português
5: 1958, 1962, 1970, 1994, 2002
Colômbia
América do Sul
Espanhol
Nenhum
Coreia do Sul 
Ásia Oriental
Coreano
Nenhum
Costa Rica 
América Central
Castelhano
Nenhum
Croácia 
Europa/Bálcãs
Croata
Nenhum
Egito 
África e Ásia
Árabe
Nenhum
Espanha 
Europa
Espanhol
1: 2010
Dinamarca 
Europa Setentrional
Dinamarquês
Nenhum
França
Europa
Francês
1: 1998
Inglaterra 
Grã-Bretanha
Inglês
1: 1966
Irã
Ásia
Persa
Nenhum
Islândia
Europa Continental
Islandês
Nenhum
Japão
Ásia
Japonês
Nenhum
Marrocos 
África
Árabe
Nenhum
México
América do Norte
Espanhol
Nenhum
Nigéria
África Ocidental
Inglês
Nenhum
Panamá
América Central
Castelhano
Nenhum
Peru
América do Sul
Espanhol
Nenhum
Polônia
Europa
Polaco
Nenhum
Portugal
Europa
Português
Nenhum
Rússia  
Eurásia
Russo, Ucraniano, Azeri, Tártaro, Tchuvache, Tuviniano.  
Nenhum
Senegal
África Ocidental
Francês
Nenhum
Sérvia
Europa/Balcãs
Sérvio
Nenhum
Suécia 
Europa do Norte
Sueco, Finlandês, Iídiche, Romani.
Nenhum
Suíça
Europa
Francês, Alemão, Italiano, Romanche.
Nenhum
Tunísia
África do Norte
Árabe
Nenhum
Uruguai
América do Sul
Espanhol
2: 1930, 1950
   Fonte: https://www.fifa.com/worldcup/2018


São 32 países participantes da Copa 2018: 14 deles são do continente europeu, 4 da Ásia, 5 da América do Sul, 2 da América Central e 1 da América do Norte  (são 8 da América Latina), 1 da Oceania, 5 da África, 1 da Eurásia, a anfitriã. É importante destacar que apenas 1 dos 32 técnicos, o do Senegal, é negro; a seleção do Senegal é a única que tem um técnico africano[1]; e nenhum dos técnicos é indígena, apesar da participação dos 8 países da América Latina. Dos 14 países europeus, 4 foram campeões mundiais: Alemanha (por quatro vezes), Inglaterra (uma vez), Espanha (uma vez) e França (uma vez); e, se considerarmos que Grã-Bretanha é uma ilha ex-continental, está fora da Europa, são só três os países europeus campões mundiais. Dos 5 países da América do Sul, 3 (Argentina, Brasil e Uruguai) já foram campeões e o Brasil, entre todos do mundo, é o que tem mais títulos, e é latinoamericano, está na América do Sul.
Dos 32 países, a Bélgica tem 3 idiomas oficiais, a Suécia e a Suíça têm 4, e a Rússia tem 6 idiomas oficiais; todos os demais países têm apenas um. O inglês é idioma oficial em três dos países participantes: Inglaterra, onde é o único idioma oficial e majoritário, na Nigéria, país africano, e na Austrália. A língua alemã é oficial em três dos países participantes: na Alemanha, onde é a única oficial e majoritária, na Bélgica e na Suíça. A língua francesa é língua oficial em quatro países: na França, onde é a única oficial e majoritária, no Senegal, única oficial, mas não a majoritária em uso, na Suíça e na Bélgica. A língua árabe é oficial em quatro nações: Arábia Saudita, Egito, Marrocos e Tunísia. O espanhol/castelhano é oficial em oito dos países participantes da Copa 2018: Argentina, Colômbia, Costa Rica, Espanha, México, Panamá, Peru e Uruguai. Nenhuma língua ameríndia e nenhuma língua africana está presente na Copa como língua oficial, apesar da quantidade de países da América Latina. São 14 países europeus e 8 americanos; o espanhol é idioma oficial em 1 dos 14 países europeus e em 7 dos países americanos. A supremacia do espanhol nos países americanos e a quantidade desses países na Copa colocaram o espanhol no ápice do ranking linguístico da World Cup/2018.
Os países coloniais, os colonizadores e os colonizados, apresentam políticas monolinguísticas em todos os continentes. O espanhol é a língua da Copa/2018, considerada a quantidade de países hispano-hablantes. Os países da América do Sul e da América do Norte declaram o “espanhol como seu idioma oficial”, ao passo que os países da América Central declaram o “castelhano”.
Vamos prestar atenção a esses indícios: a política linguística de um Estado diz muito sobre sua postura política, humana e ética. Da mesma forma, a política linguística praticada, ainda que não declarada, ainda que muito disfarçada, de todos os lugares, de todos os grupos, diz muito sobre sua postura política, sua conduta humana e ética. A Copa/2018 nos mostra que, do ponto de vista da política linguística, nem todas as nações do mundo são tão neoliberal assim como pensamos.




[1] Aliou Cissé, técnico do Senegal, recebe o menor salário entre os técnicos das seleções presentes na Copa 2018. Muitos países pobres, que têm técnicos estrangeiros, europeus ou americanos, pagam altos salários a eles. Por que o do Senegal é tão mal remunerado?